terça-feira, 10 de abril de 2012

Pouco a pouco, Angola faz o seu ninho

Bancos, sociedades petrolíferas, meios de comunicação social, empresas de telecomunicações... aguçado pela crise, o apetite dos angolanos pelas empresas portuguesas parece insaciável. Por um lado, a falta de dinheiro, por outro, a sua abundância podem explicar esta tendência que está longe de abrandar. Mas não só.

Entram devagar, através da compra de pequenas participações no capital de uma empresa. Depois, esperam que a empresa ou algum outro acionista tenha necessidade de dinheiro, algo que não falta aos grandes investidores angolanos.

Aos poucos, vão reforçando as suas participações até conseguirem ascender a uma posição dominante, nomear administradores e assumir o poder.

A banca, símbolo inequívoco de poder e Angola tem posições significativas em vários instituições financeiras portuguesas, não é o único alvo do interesse africano. Outros setores são objeto da atenção de cada vez mais investidores, próximos do poder político angolano, concentrado no Presidente José Eduardo dos Santos, mas com estratégias próprias, menos concertadas do que possa parecer à primeira vista.

Há tomadas de posição na comunicação social, na energia e até no setor agroindustrial. Nos últimos anos, têm passado para mãos angolanas várias quintas, em quase todo o território nacional, desde o Douro até ao Algarve.

"O vinho e o azeite são produtos com uma grande procura e que atingem preços exorbitantes em Luanda. Por essa razão, alguns angolanos decidiram comprar quintas produtoras, em Portugal, e, deste modo, controlar todo o processo de um negócio garantido", diz um empresário de import-export.

O caso mais emblemático da estratégia angolana para Portugal é o BCP. Não foi muito difícil para a Sonangol comprar, em 2008, assim que estoirou a crise, 469 milhões de ações do banco, correspondentes a 9,99% do capital. No final do ano passado, a posição da petrolífera era de 12,44 por cento. Já na condição de maior acionista, tomou as rédeas da instituição bancária e substituiu a estrutura administrativa.

CRISE DO EURO Austeridade provoca emigração na Irlanda e em Portugal

Desde a sua conceção que a UE revelou ser um paraíso para refugiados de guerra, perseguições e pobreza noutras partes do mundo. Mas como a UE enfrenta aquilo a que Angela Merkel chamou a sua pior hora desde a II Guerra Mundial, as circunstâncias parecem estar a mudar. Há uma nova leva de migrantes a sair do continente. Poderá transformar-se em torrente se a crise da dívida continuar a piorar.
Os países mais afetados são a Irlanda, a Grécia e Portugal, todos eles alvo de ajuda financeira da UE/FMI e de orçamentos de austeridade draconiana nos últimos dois anos. “Na Irlanda, onde 14,5% da população está desempregada, a emigração tem vindo a aumentar continuamente desde 2008, altura em que o Lehman Brothers faliu e o mercado imobiliário irlandês atingiu o ponto de rutura. Entre abril de 2010 e abril de 2011, saíram da Irlanda 40.200 cidadãos com passaporte, excedendo os 27.700 do ano anterior, de acordo com dados oficiais.”

Pelo menos 10 mil portugueses partiram para a antiga colónia de Angola e para Moçambique e o Brasil. Segundo dados do governo brasileiro, o número de portugueses no país passou de 276 mil em 2010 para cerca de 330 mil.

Fuga de cérebros tende a aumentar

Num país preparado para um quinto ano de recessão, com o desemprego a atingir um recorde de 18% – e um índice sem precedentes de 42,5% de jovens sem emprego – a fuga de cérebros terá mesmo de aumentar. A economia australiana, em contrapartida, prevê um crescimento de 4% em 2012. "As pessoas dizem muitas vezes que não querem que os filhos cresçam lá".

Tessie Spilioti está no grupo dos que já se instalaram na Austrália. "Não há sítio no mundo melhor do que a Grécia e todos os dias tenho saudades do meu país e dos meus amigos", disse Spilioti, que passou a infância na Austrália, antes de se mudar para Atenas, há 27 anos. "Mas a Austrália é um país positivo. É uma terra farta, onde se sente a abundância e as oportunidades", afirmou com entusiasmo. "E isso é o que falta completamente na Grécia. As pessoas estão em pânico, o ambiente é mau, o clima psicológico é mau e as pessoas têm a sensação de viver num cerco. Nunca pensei que iria emigrar, mas com o stress da sobrevivência diária percebi que iria ser muito difícil evoluir."

Prevê-se que duas gerações se percam como resultado da grande crise económica grega. A nova diáspora, segundo os especialistas, vai quase de certeza abranger gente mais nova, com boa formação e multilingue, mas incapaz de sobreviver mais tempo num país com uma economia em queda livre, em parte devido às fortes medidas de austeridade que a Grécia foi forçada a aplicar em troca de ajuda.

Um estudo recente da Universidade de Thessaloniki revelou que a grande maioria dos gregos opta agora por trabalhar no estrangeiro e que a geração mais nova vai para países tão diversos como Rússia, China e Irão. Os inquiridos, na sua maior parte, nem sequer tentaram arranjar emprego no seu país porque não veem futuro numa economia que terá de aguentar rigorosos apertos de cinto pelo menos durante mais uma década.

MIGRAÇÕES E DEMOGRAFIA -EMIGRAÇÃO

O êxodo grego para a Austrália

Para os jovens europeus dos países em crise, a Austrália em crescimento passou a ser a nova terra das oportunidades. É o que acontece especialmente à nova geração de gregos licenciados que se junta à enorme comunidade de expatriados do seu país espalhada pelo mundo.

Há uns meses que uma onda de homens e mulheres maioritariamente jovens, acabados de desembarcar do avião que os trouxe da Grécia, bate à porta de um enorme edifício da Lonsdale Street no centro da cidade de Melbourne. Este edifício, da década de 1940, alberga a maior comunidade grega residente na Austrália.

Num cenário que faz lembrar a grande corrida ao ouro na viragem do século XX, esta gente viaja até à outra ponta do mundo à procura de uma vida melhor. Ao contrário dos antigos compatriotas, a notoriedade destes novos emigrantes é visível atendendo aos seus diplomas, ganhos à custa de muito esforço em áreas bastante difíceis. "Andaram todos na universidade, engenheiros, arquitetos, mecânicos, professores, bancários, dispostos a fazer qualquer trabalho". "É um desespero. Estamos todos aterrorizados. Geralmente, chegam apenas com um saco. As histórias que contam são desoladoras e cada avião traz mais".

O êxodo é apenas uma parte do drama humano na Grécia, onde a crise da dívida europeia começou. Desde junho que os responsáveis pela comunidade de Melbourne estão a ser inundados com milhares de cartas, emails e telefonemas de cidadãos gregos desperados para emigrar para um país que, resguardado da trubulência dos mercados globais, é visto agora como uma terra de incomparáveis oportunidades.

Só este ano, foram 2500 os cidadãos gregos que foram viver para a Austrália, embora as autoridades de Atenas afirmem a existência de mais 40 mil que também "expressaram interesse" em iniciar o árduo processo de mudança para aquele país. Uma "skills expo", com 800 lugares, realizada em outubro pelo governo australiano na capital grega, atraiu uns 13 mil candidatos.

A VIDA A 27 - EMPREGO

Alemanha, terra de imigração de trabalho.
“Bem-vindo à Alemanha!” “Pela primeira vez desde há décadas, o número de imigrantes na Alemanha ultrapassa o dos emigrantes” A causa é o aumento do desemprego e muitos países da UE, enquanto a Alemanha está a viver um boom no emprego, atraindo os trabalhadores estrangeiros qualificados. Durante muito tempo, a economia alemã lamentou a ausência de uma “cultura de boas vindas” que, “no mínimo, desse aos imigrantes a impressão de serem ‘simplesmente’suportados na Alemanha. Agora, é a crise do euro que está a realizar esta exigência dos economistas” congratula-se este diário de negócios.

No primeiro semestre de 2011, segundo a agência federal de estatística, o número de imigrantes espanhóis aumentou 49% em comparação com o ano anterior, e o dos gregos cresceu 84%. Ao todo, chegaram à Alemanha, no primeiro semestre deste ano, 435 mil pessoas, o que representa um aumento de 20% em relação aos números do ano passado. No mesmo período, foram 30 mil os alemães que emigraram. “O tempo em que a Alemanha era um país de emigração parece ter acabado”.

Desemprego

Em fevereiro, o desemprego na UE atingiu a taxa mais elevada dos últimos quinze anos. Segundo o Eurostat, 10,2% dos europeus estão sem emprego, ou seja, 24,55 milhões de pessoas. Na zona euro a taxa é de 10,8%, o que significa 17,13 milhões de pessoas.
Com 5,7% (só a Holanda, a Áustria e o Luxemburgo têm menos desemprego) a Alemanha faz figura de eldorado, e “Berlim faz publicidade junto dos europeus” para atrair mão-de-obra.
Em algumas regiões e setores profissionais, a Alemanha está numa situação de pleno emprego e procura aumentar a mão-de-obra estrangeira que fala alemão.  Especialistas em imigração afirmam, no entanto, que as expectativas não devem ser muito elevadas: “A Alemanha não é a primeira escolha para os trabalhadores qualificados, tem que concorrer com outros Estados”. Refere-se sobretudo aos licenciados que falam inglês que procuram emprego sobretudo no Reino Unido. Por isso, Berlim não espera um grande assalto de desempregados gregos e espanhóis.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Zona Euro

A Zona Euro é composta pelos seguintes países da União Europeia, que adoptaram a moeda comum: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal, prevendo-se que com a expansão da União Europeia alguns dos aderentes mais recentes possam nos próximos anos partilhar também o euro como moeda oficial.

O governo dinamarquês anunciou no seu programa de 22 de Novembro de 2007 a sua intenção de organizar um referendo sobre a entrada do país na Zona Euro.

Alguns países pequenos que não praticam políticas de moeda própria usam também o euro: Andorra, Mónaco, São Marino e Vaticano. Montenegro também utiliza o euro como sua moeda oficial. Também no Kosovo, o euro passou a circular mesmo antes da sua declaração de independência.

Outros países tinham a sua moeda fixada a uma antiga moeda europeia. Este era o caso do escudo cabo-verdiano, que estava ligado ao escudo português, e do franco CFA, que era indexado ao franco francês, em circulação em diversos países africanos, e o Franco CFP, dos territórios franceses no Pacífico.

O banco que controla as emissões do euro e executa a política cambial da União Europeia é o Banco Central Europeu, com sede em Frankfurt, am Main, na Alemanha.